segunda-feira, 22 de maio de 2017

RECORDANDO - Vendaval em Borrazópolis completa 25 Anos de uma "Triste Notícia"

Borrazópolis que fica na região Norte do Estado do Paraná, no dia 22/05/1992 foi atingida por um vendaval, de alta intensidade, o que causou mortes, feridos e muita destruição pela cidade.
Dia 22 de Maio de 1992: Vendaval arrasa a cidade de Borrazópolis

Dia para lembrar um dos fatos mais tristes da história de Borrazópolis
Resultado de imagem para vendaval borrazopolis

O Município de Borrazópolis sofreu as consequências de um forte vendaval que arrasou a cidade no dia 22 de Maio de 1992, resultando em estado de calamidade pública. O Município teve seus quadros urbano e rural destruídos, totalizando mais de 200 residências destruídas, e 1.500 pessoas desabrigadas, além dos pontos comerciais e órgãos públicos.

Os fortes ventos iniciaram por volta das 17 hrs, e foi notícia de nível nacional na época pelo Jornal Nacional e Fantástico.

O dia seguinte, pode-se visualizar com mais clareza o saldo desta eventualidade do tempo, que foi o maior estrago na história de Borrazópolis.

Matéria do Jornal Nacional

No dia 22 de Maio de 1992, por volta das 17 horas um vendaval arrasa o município de “Borrazópolis” no Norte do Paraná, e a cidade fica no escuro.

Postes e árvores caídas dificultavam o socorro às vítimas. O Corpo de Bombeiros e carros da polícia percorriam as ruas, e familiares desesperados reviravam destroços em busca de feridos.
Durante toda a noite o hospital ficou lotado. Sem energia, médicos e enfermeiros trabalhavam à luz de velas e lampiões de gás. Os casos mais graves eram levados para hospitais de outras cidades (por exemplo em Apucarana que fica a 70 Km de distância).

Só no dia seguinte foi possível avaliar os estragos. Casas, armazéns, carros destruídos pelos destroços e plantações foram destruídos por ventos de 100 quilômetros por hora.
A estrutura metálica do Ginásio de Esportes ficou totalmente retorcido, no conjunto habitacional Vila Verde, poucas casas ficaram de pé. Paredes e árvores foram arrancadas, coberturas arremessadas para longe. Pedaços de telhas, tijolos, ferros retorcidos e móveis se espalhavam pelas ruas, árvores caídas, Posto de combustível e terminal rodoviário ficou completamente destruído.

Imagem relacionada
No total, 1,500 mil pessoas ficaram desabrigadas, com centenas de feridos, algumas pessoas ficaram internado com traumatismo craniano e infelizmente 12 mortes onde foram velados na Igreja Matriz.
Os desabrigados foram levados para o Salão Paroquial onde receberam comida e roupas e algumas pessoas foram para casa de parentes.
Toda a comunidade, Vereadores, Professores, alunos e zeladores dos colégios ajudaram as famílias no Salão Paroquial.

 DEPOIMENTOS

Depoimento do João Carlos.
A região onde moro foi a mais atingida. Minutos antes do início dos ventos acabou a energia. Durante 5 minutos ouvia-se o fortíssimo barulho que o vendaval fazia, e com isso o barulho das telhas de minha residência sendo arrancados. Após estes minutos, caiu muita chuva com vento, porém mais fracos. Cerca de alguns minutos depois, ainda sem luz, foi possível alguma possibilidade de sair e ver alguma coisa fora de casa. Alguns vizinhos estavam nas janelas e nos pátios de suas casas. E pude visualizar o estrago de minha casa e a dos vizinhos.


No dia seguinte, cedo, quem pude trabalhar, fui pra rua e pude notar a destruição. Foi muito triste e nunca esquecerei.

Depoimento de Elpídio Lunardelli.
Muita tristeza neste dia. Além das perdas materiais, as vidas de pessoas. Contudo, o povo se uniu para reconstruir a cidade e dar apoio aos que mais precisavam. Ficou na história o exemplo marcante do respeito ao ser humano e nossa capacidade de unirmos em torno de uma ideal para fazermos o bem comum. Ficou o alerta para entender o que aconteceu de verdade e as ações para evitar uma nova tragédia. Soube-se mais tarde, que o Vendaval foi uma resposta que o meio ambiente nos deu por sucessivos anos de devastação das florestas. Precisamos plantar árvores, recompor a vegetação para voltar a estabelecer o equilíbrio climático. Vamos usar nossa capacidade de construir o bem comum e o respeito que temos uns pelos outros para garantirmos a nossa sobrevivência e de nosso filhos. Nosso futuro depende disso!!! Grande abraço, Elpídio Lunardelli.

Depoimento de Lauro Kuchpil.
Esse dia ficou gravado em minha memória. Tenho apenas uma ressalva: o vendaval foi as 16:00 hs. No momento tinhamos subido para a cantina do Banco do Brasil para tomar o lanche da tarde (Onde hoje funciona a Câmara Municipal) quando o tempo fechou e em questão de segundos começou uma forte rajada de vento com relâmpagos.... Corri para a escadaria interna e comecei a ouvir estrondo e barulho de vidro quebrado. No momento tive a impressão que seria uma forte chuva de granizo que estaria estilhaçando os vidros. O prédio chegou a ter uma ligeira vibração... A parte devastadora não demorou mais que 1 minuto. Quando desci na parte inferior do Banco vi todos os papéis espalhados pelo chão, muita água, sujeira e cacos de vidro. Praticamente todas as vidraças estouraram com a força do vento. Na rua a desolação. No momento não sabia o que tinha acontecido com a minha familia. O filho Alexandre estava na época com 2 anos e sempre nesse horário a bábá saia com ele para dar uma volta. Sai aflito, amparado pelo gerente Alberto Horvatich. Não conseguimos ir pela rua devido aos postes e árvores caídos, entramos na próxima e chegando em casa vi o Alexandre no colo da bábá. Graças a Deus não tinha acontecido nada com eles... a casa sofreu avarias no telhado, no poste.... A preocupação agora era saber como estava a esposa Nadir, que estaria dando aulas no Ginásio Castelo Branco e no José de Anchieta. Fui rapidamente e no caminho encontrei com ela. Estava tudo bem. Mas muitas familias tiveram perdas. Pazini perdeu o pai que ficou abalado com o acontecimento e sofreu um infarto, vindo a falecer o Sr. João Moreira. Triste lembrança esta data.
Lauro Kuchpil - Apucarana - Pr.

Depoimento de um anônimo.
neste ano servia o quartel 30 bimtz de Apucarana nos fomos ai para ajudar a cidade uma imagem muito triste de se ver não dava pra imaginar a força do vento quando ai passou mas hoje graças a DEUS a cidade ta a todo vapor união faz a força uns pelos outros somos todos irmãos filho de DEUS ajudai pra ser ajudado ...

Depoimento de Carina Morais.
Nossa as lembranças desse dia ainda permanecem tão vivas na minha memória. Mesmo com 3 anos de idade na época, ainda consigo me lembrar de tudo detalhadamente. Minha mãe estava dormindo e eu brincando na sala, ouvi o vento eu fui até a porta olhar, fiquei com medo e corri para acordar minha mãe. Ela me pegou no colo e entramos dentro do guarda roupas. Só escutava tudo caindo, quando se deu a calmaria, ai fui olhar a sala estava toda destelhada, meu pai chegou correndo do trabalho e me pegou colo. Me levou para fora ai vi, postes caídos, árvores, casas inteiras caídas. Mas a pesar dos pesares conseguímos reconstruir tudo. Carina Rodrigues de Morais/Borrazópolis - Hoje Campinas.

Depoimento de um anônimo.

Resultado de imagem para vendaval borrazopolisEstava em em Dinizópolis trabalhando. Quando violava pra casa pude observar horrorizado a desolação. Estava de moto. Era impossível entrar na cidade. Larguei a moto na entrada e fui correndo a pé pra casa. Mulher com a filha bebe em casa assustada embaixo de uma mesa.. casa quase totalmente destelhada... todo molhado. Terrivel cena. Na cidade os pedidos de socorro ecoavam...

Depoimento de Junior Dias.
Antes, como cidadão borrazopolense queria fazer uma consideração: 

Nós daqui, devemos agradecer pelo o que aconteceu na maneira da fé que cada um professa. Agradecer porque estamos tendo a oportunidade de reconstruir. Enquanto tivermos essa força de lutar, nós daqui jamais nos acomodaremos.

O que é esse prejuízo material para uma cidade rica e pujante, que tem em sua história uma saga de lutas, de tragédias, de intempéries desafiantes as quais fizeram criar lutadores dessa terra? Uma cidade que em 61 anos, foi construída e tem um legado invejável, graças aos pioneiros, graças às pessoas que hoje vivem aqui. Erguida por guerreiros e perseverantes esta cidade não irá se curvar,  será e está sendo reerguida, com orgulho e a mesma força que a fez ser o que é hoje. (De Junior Dias).

Depoimento de Fabio Ferreira de Almeida 
Morava nos fundos da congregação cristã, que também veio abaixo com o vento, dia inesquecível.

Depoimento de Celeste Dutra da Silva
Dia que estava indo para faculdade em Jandaia do Sul. Fui fechar a janela de minha casa quando vi o posto de gasolina se retorcer os destroços bateram no vidro e desabou em mim ferindo minha mão esquerda... cicatriz até hj! As duas casas que passaria antes de embarcar caíram ao chão!!! Triste foi tocar em missa de corpo presente das vítimas com a mão ferida e vendo aquela cena que nunca consegui tirar da minha memória... 24 anos e hoje dia chuvoso acabamos recordando mais ainda. Celeste.
                                   ------------------------------------------------------------

Para aqueles que perderam tudo, restou a esperança de começar de novo.
O Vendaval aconteceu no dia 22 de Maio de 1992
e hoje faz 22 anos do acontecido,
uma data que nunca será esquecido pelos borrazopolenses.

Clica abaixo e vejam algumas fotos e um vídeo que está no YouTube





















VÍDEO

7 comentários:

  1. Muita tristeza neste dia. Além das perdas materiais, as vidas de pessoas. Contudo, o povo se uniu para reconstruir a cidade e dar apoio aos que mais precisavam. Ficou na história o exemplo marcante do respeito ao ser humano e nossa capacidade de unirmos em torno de uma ideal para fazermos o bem comum. Ficou o alerta para entender o que aconteceu de verdade e as ações para evitar uma nova tragédia. Soube-se mais tarde, que o Vendaval foi uma resposta que o meio ambiente nos deu por sucessivos anos de devastação das florestas. Precisamos plantar árvores, recompor a vegetação para voltar a estabelecer o equilíbrio climático. Vamos usar nossa capacidade de construir o bem comum e o respeito que temos uns pelos outros para garantirmos a nossa sobrevivência e de nosso filhos. Nosso futuro depende disso!!! Grande abraço, Elpídio Lunardelli.

    ResponderExcluir
  2. Esse dia ficou gravado em minha memória. Tenho apenas uma ressalva: o vendaval foi as 16:00 hs. No momento tinhamos subido para a cantina do Banco do Brasil para tomar o lanche da tarde (Onde hoje funciona a Câmara Municipal) quando o tempo fechou e em questão de segundos começou uma forte rajada de vento com relâmpagos.... Corri para a escadaria interna e comecei a ouvir estrondo e barulho de vidro quebrado. No momento tive a impressão que seria uma forte chuva de granizo que estaria estilhaçando os vidros. O prédio chegou a ter uma ligeira vibração... A parte devastadora não demorou mais que 1 minuto. Quando desci na parte inferior do Banco vi todos os papéis espalhados pelo chão, muita água, sujeira e cacos de vidro. Praticamente todas as vidraças estouraram com a força do vento. Na rua a desolação. No momento não sabia o que tinha acontecido com a minha familia. O filho Alexandre estava na época com 2 anos e sempre nesse horário a bábá saia com ele para dar uma volta. Sai aflito, amparado pelo gerente Alberto Horvatich. Não conseguimos ir pela rua devido aos postes e árvores caídos, entramos na próxima e chegando em casa vi o Alexandre no colo da bábá. Graças a Deus não tinha acontecido nada com eles... a casa sofreu avarias no telhado, no poste.... A preocupação agora era saber como estava a esposa Nadir, que estaria dando aulas no Ginásio Castelo Branco e no José de Anchieta. Fui rapidamente e no caminho encontrei com ela. Estava tudo bem. Mas muitas familias tiveram perdas. Pazini perdeu o pai que ficou abalado com o acontecimento e sofreu um infarto, vindo a falecer o Sr. João Moreira. Triste lembrança esta data.
    Lauro Kuchpil - Apucarana - Pr.

    ResponderExcluir
  3. Nossa as lembranças desse dia ainda permanecem tão vivas na minha memória. Mesmo com 3 anos de idade na época, ainda consigo me lembrar de tudo detalhadamente. Minha mãe estava dormindo e eu brincando na sala, ouvi o vento eu fui até a porta olhar, fiquei com medo e corri para acordar minha mãe. Ela me pegou no colo e entramos dentro do guarda roupas. Só escutava tudo caindo, quando se deu a calmaria, ai fui olhar a sala estava toda destelhada, meu pai chegou correndo do trabalho e me pegou colo. Me levou para fora ai vi, postes caídos, árvores, casas inteiras caídas. Mas a pesar dos pesares conseguímos reconstruir tudo. Carina Rodrigues de Morais/Borrazópolis - Hoje Campinas.

    ResponderExcluir
  4. Estava em em Dinizopolis trabalhando. Quando violava pra casa pude observar horrorizado a desolação. Estava de moto. Era impossível entrar na cidade. Larguei a moto na entrada e fui correndo a pé pra casa. Mulher com a filha bebe em casa assustada embaixo de uma mesa.. casa quase totalmente destelhada... todo molhado. Terrivel cena. Na cidade os pedidos de socorro ecoavam...

    ResponderExcluir
  5. neste ano servia o quartel 30 bimtz de Apucarana nos fomos ai para ajudar a cidade uma imagem muito triste de se ver não dava pra imaginar a força do vento quando ai passou mas hoje graças a DEUS a cidade ta a todo vapor união faz a força uns pelos outros somos todos irmãos filho de DEUS ajudai pra ser ajudado ...

    ResponderExcluir
  6. Dia que estava indo para faculdade em Jandaia do Sul. Fui fechar a janela de minha casa quando vi o posto de gasolina se retorcer os destroços bateram no vidro e desabou em mim ferindo minha mão esquerda... cicatriz até hj! As duas casas que passaria antes de embarcar caíram ao chão!!! Triste foi tocar em missa de corpo presente das vítimas com a mão ferida e vendo aquela cena que nunca consegui tirar da minha memória... 24 anos e hoje dia chuvoso acabamos recordando mais ainda. Celeste.

    ResponderExcluir
  7. Morava nos fundos da congregação cristã, que também veio abaixo com o vento, dia inesquecível.

    ResponderExcluir