segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Vaticano anuncia intervenção nos Arautos do Evangelho de Maringá

O cardeal João Braz de Aviz (que viveu sua infância na cidade de Borrazópolis) anunciou que o Papa Francisco decidiu que a Igreja Católica intervi-se na administração da Associação Internacional Arautos do Evangelho, que possui um mosteiro em Maringá, instalado em um imponente prédio construído no formato de um castelo medieval.

A decisão se baseou em uma investigação iniciada pelo Vaticano em 2017 por determinação do Papa, quando os Arautos passaram a ser acompanhados de perto por uma comissão aprovada pela Santa Sé.

As motivações para a visita apostólica e agora a decisão de nomear um interventor estão ligadas ao estilo de administração do grupo, à vida levada pelos diretores, à pastoral vocacional, à formação de novas vocações e a  gestão das obras e à captação de recursos para as construções. Em Maringá a obra do mosteiro está sendo concluída e os Arautos estão captando recursos para construir uma grande igreja na frente do castelo.

O Comissário nomeado pelo Papa é o cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida. Ele será auxiliado por Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida, bispo auxiliar de Brasília e pela Irmã Marian Ambrosio I.D.P, superiora geral das Irmãs da Divina Providência.

O Vaticano garante que a decisão não deve ser considerada como uma punição, mas como uma iniciativa destinada ao bem das instituições comissionadas para procurar resolver os problemas existentes.

OS ARAUTOS

Os Arautos do Evangelho são uma Associação internacional de fiéis de direito pontifício, a primeira a ser aceita pela Santa Sé no novo milênio, em 22 de fevereiro de 2001. Eles estão presentes em diversos países do mundo e são reconhecidos pelo hábito marrom e branco, com uma grande cruz no peito, semelhante à de cavaleiros medievais. As duas Sociedades de Vida Apostólica dela derivadas obtiveram o reconhecimento pontifício em 2009.

OUTRO LADO

Em seu site oficial, a Ordem Arautos do Evangelho postou a seguinte nota:

Isso considerado, é dever de justiça e de caridade esclarecer que:

A Visita Apostólica, composta por um Arcebispo, um Bispo e uma Superiora Religiosa, foi iniciada em 2017. Foram visitadas todas as casas dos Arautos e entrevistados quase todos os membros, bem como muitos de seus cooperadores. Acrescente-se que inúmeros ex-membros, familiares de membros e de ex-membros, também puderam dar o seu testemunho. Foram muito numerosos os depoimentos favoráveis à Instituição. No decurso da investigação chegaram centenas de testemunhos laudatórios de Cardeais, Arcebispos, Bispos e sacerdotes do mundo inteiro.
Após a diligente inquirição, que durou pouco mais de um ano, a Visita Apostólica concluiu seus procedimentos. Conforme o testemunho dos Visitadores referido em reuniões e encontros nos quais esteve presente o Presidente Geral dos Arautos do Evangelho, consignados em atas devidamente arquivadas, nada foi encontrado contra a moral, a sã doutrina ou às leis eclesiásticas e civis.
Em agosto de 2018, os visitadores apresentaram oito questões provenientes de pessoas abertamente desafetas aos Arautos, contendo falsas acusações que circulavam profusamente na internet. A resposta – de 570 páginas, acompanhada por 75 anexos recolhidos em 42 volumes – foi elaborada por uma comissão especial composta por professores e doutores em diversas áreas teológicas, canônicas e jurídicas. Os Visitadores e a Santa Sede não apresentaram observações a essa resposta da Instituição.
Recorde-se que o Comissariado é uma prática prevista pelo Ordenamento jurídico da Igreja e que pode ser utilizado como um instrumento de comunhão. Conforme a notícia oficial do Vaticano, a motivação estaria ligada a determinadas carências, mas não deve ser considerada uma sanção. Tudo o que é noticiado em oposição a essas diretrizes, constitui, portanto, evidente difamação.
Por fim, os Arautos do Evangelho acolhem respeitosamente e em espírito de comunhão eclesial a nomeação de S. Emcia. Revma. o Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo emérito de Aparecida, como Comissário Pontifício, bem como seus assistentes, Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida, Bispo Auxiliar de Brasília e a Ir. Marian Ambrósio, IDP, Superiora Geral das Irmãs da Divina Providência.

Invocando o maternal e infalível amparo de Nossa Senhora, os Arautos do Evangelho se colocam à disposição das autoridades competentes, em espírito de filial e confiada transparência, certos de esta nova fase ser ocasião para certificar a sua ininterrupta comunhão afetiva e efetiva com a Santa Sé e com os Bispos, sucessores dos Apóstolos.

Com informações do Portal Pinga Fogo/ Vatican News / Fotos: Suely Sanches Fotografia

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